[Clínicas e hospitais devem ser exemplo de desinfecção e limpeza]

A pandemia quebrou paradigmas em todas as áreas e na saúde não foi diferente. Muitas das novas regras de higienização, desinfecção e limpeza de clínicas e hospitais estão sendo aprimoradas assim como alguns protocolos de atendimento deverão permanecer muito além desse período.

Uma das maiores preocupações de clínicas, hospitais e demais ambientes da área de saúde sempre foi proporcionar segurança plena em termos de higiene, limpeza e desinfecção.  É inegável que a pandemia gerada pela disseminação do Covid – 19 e por todas as razões já conhecidas, exigiu medidas drásticas para preservar a saúde de pacientes e profissionais.

Cuidar da desinfecção, limpeza e higienização de ambiente hospitalar é, de fato, algo complexo que deve ser feito e supervisionado exclusivamente por profissionais que conheçam muito bem o assunto.

Vários procedimentos foram aprimorados e adaptados às atuais condições. Novos EPIs, mais rigor e frequência nos protocolos de higienização, utilização de produtos e equipamentos apropriados, novas rotinas de trabalho. Nesse momento, tanto profissionais quanto ambientes da área de saúde precisam servir de exemplo para toda a sociedade.

Portanto, garantir comunicação eficiente com os colaboradores, promover treinamentos de qualidade e supervisão correta do das rotinas são itens tão importantes quanto os próprios procedimentos de desinfecção.

É prioridade, por exemplo, a elaboração de planos de comunicação em que estejam previstos desde a colocação informativos por toda a estrutura até criação de novos canais digitais para troca de informações entre colaboradores, supervisão e direção.

A seguir, trazemos outras orientações e sugestões de boas práticas que estão sendo aplicadas com sucesso em várias partes do no mundo e das quais o Brasil pode extrair algumas outras lições importantes.

Acompanhe:

De acordo com as atuais evidências científicas, o coronavírus é transmitido:

  • Por contato direto: disseminação de gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. As gotículas podem ser inaladas ou pousar na boca, nariz ou olhos de pessoas que estão próximas (menos de 2 metros).
  • Por contato indireto: contato das mãos com uma superfície ou objeto contaminado com o vírus e, em seguida, com a boca, nariz ou olhos.

O exercício do profissional de saúde normalmente exige uma grande proximidade com o paciente e o expõe a gotículas respiratórias e aerossóis que podem ser criados durante os atendimentos que tornam a sala de atendimento e procedimentos potenciais fonte de transmissão do vírus. Entre as principais orientações para desinfecção e limpeza desse ambiente estão:

 

1 – Desinfecção de superfícies e de chão

Conforme divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) todas as áreas fixas e equipamentos permanentes  devem ser limpos e desinfectados em uma frequência bem maior que a habitual, com o uso de produtos próprios para combater o vírus.

Nas clínicas e consultórios, a recomendação é que a limpeza e desinfecção de todas as superfícies sejam realizadas com intervalos entre 1-2 horas ou após cada consulta.

O Manual da ANVISA, por sua vez, indica procedimentos como:

  • Estabelecer um protocolo sobre a frequência de limpeza em cada estabelecimento;
  • Ter atenção especial quanto às superfícies mais tocadas por pacientes e profissionais (maçanetas, por exemplo);
  • Utilizar de maneira correta e adequada os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que devem ser apropriadas para a atividade a ser exercida e necessária ao procedimento;
  • Nunca varrer superfícies a seco, pois esse ato favorece a dispersão de microrganismos;
  • Limpar os pisos utilizando a técnica de varredura úmida;
  • Adotar cuidados especiais para pacientes que estejam em isolamento, com kits exclusivos de limpeza;
  • Medidas de precaução, bem como o uso do EPI, devem ser apropriadas para a atividade a ser exercida e necessária ao procedimento; Campanhas internas para a higienização das mãos, bem como a instalação de vários pontos com álcool em gel para uso de colaboradores e pacientes.

Produtos recomendados

Tanto a ANVISA quanto órgãos internacionais indicam o uso de solução contendo como substância ativa o hipoclorito de sódio (água sanitária) em concentração de 0,1%v/v, ou 1000 RPM, pronta para ser usada (não é necessário diluir) ou álcool a 70º para as superfícies metálicas ou outras, que não sejam compatíveis com o hipoclorito de sódio.  Se optar por diluição, deverá ser feita conforme a concentração da fórmula original e orientações do fabricante.

Podem ser usados ainda outros produtos de limpeza e desinfecção de chãos devidamente certificados com ação “bactericida e virucida”, como por exemplo: pastilhas de cloro para diluir na água no momento da utilização, como soluções detergentes com desinfetante na composição (efeito 2 em 1), em apresentação de spray ou líquida, alguns fenóis e alguns iodóforos e o quaternário de amônio.

Toalhetes humedecidos descartáveis em desinfetante ou em álcool para a limpeza rápida em superfícies de toque frequente.

 

2 – Higienização dos aparelhos

Os equipamentos, produtos para saúde ou artigos utilizados na assistência aos casos suspeitos ou confirmados de infecção pelo novo coronavírus devem ser de uso exclusivo, como no caso de estetoscópios, esfigmomanômetro e termômetros. Caso não seja possível o uso exclusivo, deve ser realizada limpeza e desinfecção ou esterilização antes de utilização em outros pacientes.

Os quadros mais graves da COVID-19 levam o paciente a sofrer problemas respiratórios. A orientação é que as pessoas que estiverem nesse tipo de situação devem ser colocadas em ventilação mecânica, uma vez que esse é o método mais eficaz.

Inicialmente, deve haver um controle  rigoroso da infecção nos aparelhos de ventilação. Especialistas desaconselham fortemente que os circuitos sejam mudados continuamente, por exemplo, a menos que estejam sujos ou precisando de manutenção.

Além disso, os protocolos internacionais mostram que o vírus é altamente sensível à luz ultravioleta e ao calor. Para inativá-lo, portanto, pode-se usar o aquecimento a 56 graus por cerca de 30 minutos e desinfetar os aparelhos utilizando éter ou etanol a 70%. Solventes lipídicos, ácido peracético e clorofórmio também causam efeitos positivos para o essa inativação.

No caso dos circuitos descartáveis, a orientação é que sejam eliminados como lixo hospitalar.

 

3 – Atendimento em consultórios, clínicas ou outros serviços de saúde

Os órgãos internacionais de saúde e a ANVISA ressaltam que nenhum atendimento presencial deve ser realizado sem um prévio contato por telefone fixo, celular, e-mail, ou outro meio que permita a comunicação com o paciente. As consultas devem, sempre que possível, ser marcadas de forma remota para evitar ter pacientes em sala de espera

  • Devem ser retiradas das salas de espera as revistas, folhetos e outros objetos (máquinas de café, dispensadores de água, etc.) que possam ser manuseados por várias pessoas;
  • Atenção redobrada com a renovação frequente do ar da sala de espera, preferencialmente com as janelas e as portas abertas;
  • Cuidados e proteção com as superfícies mais expostas ao contato com as mãos no consultório, com o uso de barreiras plásticas ou papel de alumínio descartáveis;
  • Instalação de barreiras físicas, como placas de vidros, acrílicas ou janelas para atendimento administrativo dos usuários e pacientes;
  • A clínica, consultório ou qualquer ambiente hospitalar deverá disponibilizar informações ao paciente sobre a adequada etiqueta respiratória, higienização das mãos e utilização de máscara, especialmente através de fixação de cartazes;
  • Caso o paciente não leve a máscara própria, a clínica deverá fornecer, assim como disponibilizar solução alcoólica na entrada do consultório, clínica ou serviço. A máscara deve ser usada dentro do espaço de sala de espera ou recepção;
  • Todos os procedimentos específicos atribuídos a cada profissional ou colaborador da clínica, consultório ou serviço devem ser discriminados e atualizados com frequência. Precisa prever, por exemplo, quem circula nos diferentes espaços da área de trabalho e as tarefas de cada um.

Para mais informações, você pode consultar:

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Manual de Segurança do Paciente: limpeza e desinfecção de superfícies. Disponível em: https://www20.anvisa.gov.br/ segurancadopaciente/index.php/publicacoes/item/seguranca-do-paciente-em-servicosde-saude-limpeza-e-desinfeccao-de-superficies

 ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC Nº 15/2012. Boas práticas para o processamento de produtos para saúde. 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/

 Wu Z, McGoogan JM. Characteristics of and Important Lessons from the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Outbreak in China: Summary of a Report of 72 314 Cases From the Chinese Center for Disease Control and Prevention. JAMA. Disponível em: https://doi.org/10.1001/ jama.2020.2648

OSHA – Occupational Safety and Health Act. Guidance on Preparing Workplaces for COVID-19. 2020. Disponível em: https://www.osha.gov/Publications/OSHA3990.pdf