[Higiene e limpeza nas escolas são primordiais pós-pandemia]

Garantir a higiene e limpeza nas escolas de forma profissional e responsável ainda é uma das melhores maneiras de combater o contágio do coronavírus na volta às aulas.

A volta às aulas, prevista para setembro no Estado de São Paulo em áreas e municípios que estejam numa fase intermediária da contaminação, poderá acontecer também em boa parte dos estados brasileiros, desde a educação infantil até a universidade, redes públicas e privadas.

Sem data confirmada, o que se sabe até o momento é que, a exemplo de outros países, as aulas presenciais nas escolas brasileiras terão obrigatoriamente que ter menos alunos por sala e prevalecer com atividades individuais, ou seja, sem trabalhos em grupo. Professores e alunos usarão máscaras o tempo todo.

Também está previsto rodízio entre estudantes em sala e em casa, com continuidade das atividades online. No intervalo, os refeitórios precisarão ter lugares marcados para que estudantes mantenham a distância entre si. Cada um vai trazer de casa a própria garrafinha de água.

Ainda assim, para que tudo isso possa acontecer com um pouco mais de tranquilidade é preciso definir regras claras para a limpeza, higienização e desinfecção do ambiente escolar de forma a tornar a escola realmente um lugar seguro para alunos, professores, colaboradores e suas famílias.

 

Medidas gerais de higiene e limpeza nas escolas

Na questão higienização, são várias as orientações e recomendações de especialistas, secretarias de estado e empresas do setor. Famílias e colaboradores precisam estar unidos e atentos.

Existem normas que já são de consenso geral, entre elas, que a higienização terá que ser intensificada e com manutenção muito maior do que antes da disseminação do coronavírus.

Além disso, incentivar toda a comunidade escolar, especialmente alunos, atividades educativas sobre higiene das mãos e etiqueta respiratória é indiscutivelmente uma das melhores medidas preventivas.

O hábito pode ser estimulado, conforme as possibilidades, com a colocação de lavatórios ou pias com dispensador de sabonete líquido, suporte com papel toalha, lixeira com tampa de acionamento por pedal e dispensadores de álcool gel em pontos de maior circulação (recepção, corredores e refeitório).

Os cuidados básicos com a desinfecção de salas de aula, quadras esportivas, biblioteca, pátio e refeitórios precisam ser ainda maiores, pois serão os locais onde os alunos passarão a maior parte do tempo.

Já a limpeza e desinfecção das superfícies das salas e demais espaços da escola (classes, cadeiras, mesas, aparelhos, equipamentos de educação física) deve ser feita logo após o uso, com detergente neutro e em seguida desinfecção com álcool 70%, hipoclorito de sódio ou água sanitária.

Equipamentos de consumo de água de contato direto da boca como bebedouros precisam ser desativados. Deve ser estimulado ao máximo o uso de recipientes individuais para o consumo.

Manter os ambientes arejados por ventilação natural (portas e janelas abertas) e evitar atividades que envolvam grandes aglomerações em ambientes fechados também são prioridade.

Outro cuidado a ser sistematizado: alunos ou profissionais que apresentem febre e sintomas respiratórios (como tosse e coriza) devem ser orientados a procurar atendimento em serviço de saúde e manter afastamento das atividades.

 

Cuidados profissionais com a limpeza

A limpeza e a higienização escolar deve ser feita minuciosamente e de preferência por profissionais treinados e devidamente equipados. Os materiais base são água, sabão neutro, hipoclorito de sódio (água sanitária) e álcool 70%.

A direção da escola deve orientar todos os seus colaboradores sobre o uso correto dos equipamentos de proteção Individual (EPIs) e para a frequência da lavagem correta das mãos.

Cada escola precisa, de fato, estabelecer um plano de higiene, desinfecção e limpeza executado por equipes treinadas, do qual deverá fazer parte:

  • Informações afixadas em painéis visíveis e acessíveis aos colaboradores sobre os cuidados e procedimentos úteis.
  • Informações claras e bem ilustradas sobre a utilização correta dos EPIs bem como dos produtos de limpeza (detergentes e desinfetantes), de acordo com as indicações de segurança de cada produto;
  • A disponibilidade de materiais de limpeza e desinfeção adequados e devidamente autorizados pela ANVISA.

 

Limpeza correta do ambiente escolar

Ao limpar e desinfetar uma área, toda atenção deve estar inicialmente nos equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Os equipamentos precisam proteger tanto de uma eventual contaminação existente na área onde irá operar, quanto dos produtos utilizados. Com isso evita-se que se tragam outros agentes contaminadores do exterior para a área da desinfecção.

O profissional já deve entrar nos locais totalmente equipado e com o material de limpeza, levando também sacos prontos para que os resíduos sejam recolhidos. É preciso que verifique ainda se os produtos de higiene, como sabonete e papel toalha e outros materiais são suficientes para atender às necessidades.

Ao entrar na área que deve ser limpa, o primeiro passo é abrir janelas e arejar o ambiente.

A limpeza deve começar a limpar do alto para baixo e das zonas mais distantes da porta de entrada para a porta de entrada/saída;

Os objetos mais tocados como interruptores, maçanetas das portas, torneiras, corrimãos, mesas, cadeiras, teclados de computadores, telefones e outros devem ter atenção especial na limpeza.

À medida que a limpeza acontece, os materiais descartáveis devem ser depositados em sacos apropriados devidamente identificados ou de cor diferente dos habituais, com o cuidado de não contaminar o seu lado externo.

 

Cuidados na “área suja”:

  • No final da limpeza, o profissional precisa esperar para ter o espaço totalmente arejado e só depois fechar as janelas;
  • Proceder a limpeza de frascos e produtos de limpeza antes de sair;
  • Limpar as luvas e calçado por fora sem os retirar;
  • Colocar o saco sujo dentro de outro limpo e fechá-lo em seguida.
  • Sair da área e fechar a porta, sempre que possível.

É preciso ainda armazenar os EPIs reutilizáveis em embalagens próprias hermeticamente fechadas e transportados até à área de desinfecção/lavagem do material. Os EPIs descartáveis precisam ser colocados nos sacos de resíduos e descartados em ocal apropriado.

Mas atenção: os sacos de resíduos devem ser descartados no contentor dos resíduos indiferenciados e jamais colocados no contentor de coleta seletiva, nem depositados no ecoponto. Os sacos de resíduos jamais podem ser deixados em espaços públicos, ou zonas onde possam ser mexidos.

 

Frequência e métodos de higiene e limpeza nas escolas

As organizações de saúde, profissionais e infectologistas recomendam ainda os seguintes procedimentos para ambientes escolares:

  • A higienização de pisos e banheiros deve acontecer no mínimo duas vezes ao dia, com água sanitária diluída em água. A utilização de álcool 70% precisa ser aplicada por todas as surpercífies.- Caso haja viabilidade utilizar desinfetante hospitalar a base de peróxido de hidrogênio que possui ação mais eficaz na sanitização de ambientes.
  • As áreas e os objetos de uso comum – corrimãos, maçanetas das portas, interruptores, zonas de contato frequente – devem ser limpos pelo menos duas vezes de manhã e duas vezes à tarde;
  • Salas de aula – no final de cada utilização, sempre que haja mudança de turma;
  • Salas de professores – de manhã e à tarde no mínimo;
  • Refeitórios – logo após a utilização de um grupo e antes de outro entrar na área, especialmente as mesas e zonas de self-service.
  • Os panos de limpeza deve ser lavados e totalmente higienizados diariamente.
  • Todos os equipamentos precisam ser limpos a cada término da jornada de trabalho.
  • Sinalizar sempre os corredores, deixando um lado livre para o trânsito de pessoal, enquanto se procede à limpeza do outro lado.
  • Utilizar placas sinalizadoras e manter os materiais organizados, a fim de evitar acidentes.
  • A limpeza deve ser úmida. Lavar primeiro as superfícies com água e detergente e, em seguida, espalhar uniformemente a solução de hipoclorito de sódio nas superfícies.

Os especialistas recomendam ainda:

  • Deixar atuar o desinfetante nas superfícies durante, pelo menos, 10 minutos, sempre que possível;
  • Enxaguar as superfícies só com água;
  • Deixar secar ao ar, sempre que possível.

Materiais e equipamentos recomendados:

-Balde e esfregão tipo mop para o chão;
-Panos de limpeza descartáveis ou panos reutilizáveis (laváveis) de microfibra, se houver condições para serem lavados e desinfetados pelo calor, em máquina de lavar;

Sempre que possível, deixar as superfícies humedecidas, até que sequem ao ar, para que o desinfetante possa atuar de maneira eficaz.