[Limpeza é bom, mas a desinfecção é fundamental]

Você realmente sabe por que a desinfecção tornou-se uma questão de sobrevivência?

A limpeza e desinfecção dos ambientes, seja a casa, o ambiente de trabalho, uma indústria ou locais públicos é uma prática que precisa ser cultivada e mantida em qualquer situação por uma questão de saúde.

Ainda mais quando vivemos situações críticas com grande disseminação de vírus, bactérias, fungos e parasitas que colocam em risco a vida das pessoas. E está aí o coronavírus e tudo o que trouxe de mudança na vida de todos nós.

Hoje, limpar e desinfetar são atividades imprescindíveis a serem feitas uma após a outra, onde quer que exista contato humano. E exigem método e tratamento profissional.

 

Porque desinfetar
Muito antes do coronavírus todos nós já sabíamos que manter os ambientes limpos com produtos corretos e certificados é fundamental para conter a propagação de vírus, bactérias ou fungos.

No entanto, o coronavírus, por ser um agente patológico transmitido por vias respiratórias que se propaga pelo contato interpessoal, todos os objetos tocados com frequência também podem ser potenciais transmissores.

De fato, nós nunca sabemos se os objetos que tocamos foram manuseados por uma pessoa infectada por coronavírus ou outro agente infeccioso.

Isso tem se tornado um transtorno e até uma obsessão na vida de muita gente, já que a distância física e medidas de etiqueta sanitária passaram a ser processos de preservação da vida.

Mas quando, onde e em quais situações a desinfecção torna-se imprescindível?

Primeiro é preciso ter claro que a Limpeza significa a remoção de germes, sujidade e impurezas das superfícies. A limpeza na verdade não consegue matar os germes, mas, ao removê-los, diminui consideravelmente o número e o risco de propagação da infecção.

E por essa razão a desinfecção deve ser feita sempre após a limpeza, com a aplicação de produtos da maneira certa.

 

Desinfecção como legado
Até o fenômeno do Coronavírus invadir nossas vidas, a desinfecção era recomendada principalmente para hospitais e demais estabelecimentos na área da saúde, restaurantes e locais com grande circulação de pessoas, onde o acúmulo de vírus e bactérias era mais evidente e prejudicial para a saúde.

Hoje isso se amplificou consideravelmente. Nas empresas, escolas, restaurantes e comércios é um processo que já extrapola higienização para ser também um diferencial competitivo para as organizações.

Manter o local limpo e desinfetado corretamente e informar os clientes disso já é parte da inteligência do negócio. A pandemia fez com que a pessoas ficassem cada vez mais atentas, exigentes e determinadas a só frequentarem ambientes em que se sintam 100% seguras do ponto de vista da higiene.

A desinfecção é a segunda etapa do processo de eliminação dos vírus e bactérias das superfícies, pois é a fase em que se utiliza produtos desinfetantes específicos para essa finalidade. Neste momento, é possível alcançar até 99% de higienização, dependendo do produto utilizado.

O que se recomenda é que após a limpeza diária das superfícies tocadas com frequência seja feita a desinfecção com produtos adequados e seguindo as instruções de cada fabricante.

São as superfícies consideradas críticas como, por exemplo, mesas, maçanetas, interruptores de luz, corrimões, banheiros, torneiras, pias, teclados, mouses de computador, telefones celulares, tablets, entre outros.

Nelas, é fundamental usar desinfetante e sempre fazer a limpeza prévia, ou seja: limpar a superfície para retirar a sujeira e somente após isso aplicar o desinfetante. Do contrário, seu princípio ativo será consumido pela sujeira, ao invés de eliminar os micro-organismos.

Por fim é bom que se saiba ainda que os desinfetantes, de forma geral, não “esterilizam”.  Microbiologistas alertam para o fato de muitas pessoas usarem determinados produtos acreditando que promovem a esterilização, quando isso não é verdade.

Quando se usa o detergente, a redução da carga microbiológica é de cerca de 80%; com desinfetante, de 90% a 99%; já a eliminação de 100% só ocorre com a esterilização feita com produtos específicos para esterilização.

São comuns enganos em relação a esse fator especialmente quando o processo é feito por leigos no assunto.

Outra dúvida frequente sobre o processo de desinfecção é se devemos ou não fazer o enxágue dos desinfetantes.

A ANVISA não indica o processo de enxágue, principalmente em atividades específicas da indústria.

Tudo depende do tipo de uso. Na indústria alimentícia, por exemplo, a grande maioria das aplicações desses produtos se faz em superfícies que de fato necessitam de enxague posterior, porque irão entrar em contato com o alimento.

Exceto o exemplo acima, na grande maioria dos usos, a recomendação é que não haja o enxágue porque o produto continuará agindo.

Já o álcool em gel só deve ser usado quando não for possível a lavagem das mãos. Para superfícies, embora possa ser aplicado, existem outros princípios ativos mais adequados para essa função, como é o caso do quaternário ou do peróxido de hidrogênio – vários deles com efeito residual já que, depois de aplicados, a água se evapora e o princípio ativo continua agindo.

 

O mito do álcool
No Brasil, o álcool para limpeza sempre esteve muito ligado à ideia de desinfecção e esterilização. Contudo, não é suficiente.

O álcool, para ser eficaz na desinfecção, precisa ter uma concentração de 70%. O que significa: menos água em sua composição e maior facilidade para penetrar na célula das bactérias para eliminá-las.

Qualquer concentração acima ou abaixo desta, não é capaz de desinfetar profundamente. Para que este produto realmente funcione, é necessário respeitar o seu tempo de aplicação que em media é de 30 segundos. Bem como fazer movimentos de fricção durante a aplicação.

Se qualquer uma dessas questões não for respeitada, o produto perde o seu poder de desinfecção e assepsia. Assim resultando na perda do produto, tempo e dinheiro.

A ANVISA recomenda uma série de produtos alternativos ao álcool 70% e que podem ser utilizados para desinfecção de objetos e superfícies:

hipoclorito de sódio a 0,5%;
alvejantes contendo hipoclorito (de sódio, de cálcio) a 2-3,9%;
iodopovidona (1%);
peróxido de hidrogênio 0,5%;
ácido peracético 0,5%;
quaternários de amônio como cloreto de benzalcônio 0,05%;
compostos fenólicos;
desinfetantes de uso geral com ação contra vírus.
A água sanitária e os alvejantes comuns podem ser diluídos para desinfetar pisos e outras superfícies.

Na maioria dos casos, os desinfetantes levam de cinco a dez minutos de contato para inativar microrganismos. Portanto, após a aplicação do produto, é necessário esperar esse tempo para que ele faça efeito.

 

Desinfecção das mãos
Da mesma forma que é extremamente importante a desinfecção de superfícies e ambientes para evitar a proliferação de doenças nos ambientes institucionais, as mãos também precisam ser higienizadas.

Afinal: as mãos são os principais veículos de transmissão dos microrganismos de um indivíduo para outro e também entre superfícies. E mantê-las higienizadas é fundamental para combater doenças e infecções.

Para a higienização correta das mãos é necessário o uso de um bom álcool em gel ou espuma, ou ainda um sabonete de qualidade, também em gel ou espuma, nunca se esquecendo o jeito certo de usá-los, assim como um bom papel toalha para secá-las.

 

Glossário
 Confira o significado dos termos mais comuns quando o assunto é limpeza e desinfecção:
Desinfecção: remoção de agentes infecciosos, na forma vegetativa, de uma superfície inerte, mediante a aplicação de agentes químicos ou físicos.
Desinfetante: são agentes químicos capazes de destruir microrganismos na forma vegetativa em artigos ou superfícies, sendo divididos segundo seu nível de atividade.
Detergente: todo produto que possui como finalidade a limpeza e que contém na sua formulação tensoativos que reduzem a tensão superficial da água, facilitando sua penetração, dispersando e emulsificando a sujidade.
Limpeza: consiste na remoção das sujidades mediante aplicação de energias química, mecânica ou térmica em um determinado período de tempo. Pode ser:
– Química – ação de produtos saneantes com a finalidade de limpar por meio da propriedade de dissolução, dispersão e suspensão da sujeira.
– Mecânica – ação física aplicada sobre a superfície para remover a sujeira resistente à ação do produto químico (esfregar, friccionar, escovar).
– Térmica – ação do calor que reduz a viscosidade da graxa e da gordura, facilitando a remoção pela ação química.
Produtos Saneantes: substâncias ou preparações destinadas à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento de água.
Risco Biológico: risco determinado pela exposição a agentes biológicos por inalação, contato ou manuseio (direto ou indireto) de sangue e fluídos corpóreos.