[Limpeza e higiene: o que realmente funciona no combate ao coronavírus]

A pandemia exigiu mudanças nas rotinas de higiene e limpeza. Usar produtos e técnicas corretas, tem sido um dos métodos mais eficazes contra a disseminação do vírus.

Combater o coronavírus e evitar que ele se dissemine exige mudança de hábitos e inúmeros cuidados extras com a higiene e limpeza dos ambientes.

Nas empresas e nos comércios, a recomendação é que esses procedimentos sejam executados de forma profissional e por equipes treinadas.

De toda forma, ainda existem muitas dúvidas sobre tudo que precisamos alterar nas nossas vidas daqui para frente, como por exemplo, os produtos indicados para desinfecção, procedimentos e frequência com que devem ser utilizados.

Para tentar responder a essas questões, reunimos a seguir informações de fontes confiáveis, entidades científicas públicas e privadas do Brasil e do exterior.

Acompanhe.

 

1 – Fuja de produtos de limpeza clandestinos

O primeiro ponto que precisa ser observado é se os produtos que está adquirindo para limpeza de sua casa ou local de trabalho é regularizado. Segundo a ANVISA, o ideal é dar preferência aos classificados nas categorias “Água Sanitária” e “Desinfetante para Uso Geral”.

Confira a lista de produtos (águas sanitárias e desinfetantes de uso geral) regularizados na ANVISA.

Os produtos de higiene e limpeza, tecnicamente chamados de saneantes, devem apresentar no rótulo o número de registro na ANVISA  ou de notificação — quando a empresa envia informações sobre o produto  antes de comercializá-lo.

Para saber se o produto é regularizado, consulte o banco de dados da Agência.

Produtos irregulares devem ser denunciados à Ouvidoria da Agência. Para isso, basta preencher o formulário disponível no portal.

 

2 – Corra das “misturinhas potentes” da internet

Todo cuidado é pouco com as famosas “misturinhas” compartilhadas por meio de aplicativos na internet. Elas podem causar intoxicações graves.

Existem inúmeros vídeos que ensinam o preparo de soluções com substâncias químicas para a produção doméstica de produtos de limpeza. E isso é extremamente perigoso.

De acordo com a ANVISA, esse tipo de solução coloca a saúde em risco, também pela falta de eficácia, além disso, há risco de acidentes como, queimaduras, intoxicação e irritações. É um tipo de economia arriscada e desnecessária.

 

3 – Use materiais de limpeza da forma adequada

Os produtos “saneantes” podem ser usados para limpeza e desinfecção dos ambientes, utensílios e objetos (chão, superfícies de móveis, maçanetas, corrimão, interruptores de luz, e etc.), locais onde microrganismos como o Coronavírus podem estar presentes.

Entre eles estão o álcool gel (produzidos à base de etanol, na forma gel e em concentração de 70%), além de hipoclorito de sódio, ácido peracético, quaternários de amônia e fenólicos.

Mas fique atento: ainda não foi possível testar os “saneantes” com ação antimicrobiana para o Covid-19. Por enquanto essa informação não consta nos rótulos dos produtos. Contudo, os produtos testados para microrganismos mais resistentes são os melhores para combater a proliferação do novo vírus.

Para alcançar o resultado esperado, é fundamental seguir as instruções contidas no rótulo do produto quanto à forma de uso, cuidados e equipamentos necessários para sua aplicação.

 

4 – Limpeza diferente para espaços diferentes

Cada ambiente da empresa, do comércio, residências ou condomínios vai demandar uma rotina específica de limpeza, seja na constância da higienização ou nos produtos utilizados.

Para seguir corretamente as orientações das organizações de saúde, é necessário, em muitos casos, aumentar a frequência da rotina de limpeza ou incluir novos equipamentos e produtos aos processos de higienização.

 

5 – Atenção redobrada com a higiene pessoal

Prevenção é a melhor forma de combater o coronavirus, seja em casa ou no trabalho. Mas algumas medidas precisam ser priorizadas: a secagem das mãos, por exemplo, considerada tão importante quanto à lavagem.

Para secar as mãos, os especialistas recomendam o uso de papéis descartáveis 100% celulose, ao invés de secadoras eletrônicas, panos de algodão ou papéis de baixa qualidade.

Isso porque os papéis de celulose são mais eficazes em evitar que microrganismos se espalhem no ar ou nas mãos, ao contrário dos outros métodos de secagem.

 

 6 – Higienizar com água e sabão sempre 

As pessoas normalmente pensam no sabão como algo suave. Mas, do ponto de vista dos microrganismos, ele é muitas vezes extremamente destrutivo. Uma gota de sabão comum diluída em água é suficiente para romper e matar muitos tipos de bactérias e vírus, incluindo o Covid-19.

Ao longo de um dia, pegamos todo tipo de vírus e microrganismos dos objetos e pessoas. Quando tocamos distraidamente nossos olhos, nariz e boca – um hábito que, segundo estudos, se repete a cada 2,5 minutos em média –, oferecemos  vitalidade  aos micróbios potencialmente perigosos.

Portanto não duvide. Ainda hoje, na era de cirurgia robótica e terapia genética, uma receita antiga e inalterada, como um pouco de sabão na água continua sendo uma de nossas intervenções médicas mais valiosas.

O segredo do poder impressionante do sabão é sua estrutura híbrida.

O sabão é feito de moléculas em forma de pino, cada uma delas com uma cabeça hidrofílica – que prontamente se liga à água – e uma cauda hidrofóbica, que evita a água e prefere se conectar com óleos e gorduras.

Quando as pessoas lavam as mãos com água e sabão, algumas moléculas de sabão interrompem as ligações químicas que permitem que bactérias, vírus e sujeira grudem nas superfícies, retirando-os da pele.

Os infectologistas garantem que nada é melhor que água e sabão. Nem mesmo o álcool gel. Embora os desinfetantes com pelo menos 60% de etanol ajam de forma semelhante, desestabilizando membranas lipídicas para eliminar bactérias e vírus, podem não remover microrganismos da pele com a mesma facilidade.

 

7 – Saúde Empresarial como prioridade  

A saúde empresarial depende do bem-estar de funcionários e clientes, dentro ou fora das imediações da empresa. Ambientes profissionais reúnem um grande número de pessoas no mesmo espaço por um número elevado de horas por dia. Como forma de reduzir riscos, é importante que as empresas estejam totalmente focadas na higienização.

Um ambiente limpo, higienizado e organizado é capaz de proporcionar sensação de bem-estar, clareza, calma e aumentar os níveis de satisfação do consumidor, além de favorecer o clima organizacional.

 

8 – Educação e conscientização

As empresas tem uma enorme responsabilidade no combate ao coronavírus.

Isso inclui  desde a a conscientização e disseminação de boas práticas de higiene e limpeza até a adoção de ações capazes de reduzir a exposição de  funcionários, colaboradores e clientes.

A rotina de trabalho e a convivência mudaram radicalmente. E exigem medidas como:

  • Limpeza profissional

  • Aumento da frequência na higiene de superfície com alto fluxo de contato, como maçanetas, interfones e mesas;

  • Oferta de álcool em gel em pontos estratégicos, como perto de portas, banheiros e copas;

  • Adoção de sistemas eficientes de lavagem e secagem das mãos nos banheiros.

  • Adoção e fiscalização de uso de EPIs.

  • Criação de canais de comunicação para informar os colaboradores sobre os cuidados e prevenção

Independente da pandemia, estudos já comprovaram que trabalhar em ambiente com baixa qualidade de limpeza afeta a produtividade, o rendimento e qualidade das entregas.

Os espaços com uma rotina eficiente de higienização, por sua vez, contribuem para a melhoria no desempenho das equipes.

Especialmente em momento de pandemia, a limpeza passa a ser um investimento de longo prazo, justamente por contribuir para melhoria do clima organizacional.