[Protocolos de limpeza para a retomada das atividades]

Além de enfrentar os desafios econômicos gerados pela pandemia, as empresas precisam incorporar os novos protocolos de limpeza, higiene e desinfecção como parte do negócio.

O mercado está aos poucos retomando suas atividades. Apesar das incertezas, restrições e das cicatrizes causadas pela pandemia, essa experiência nos obrigou a adotar novos protocolos de limpeza e higienização e colocar medidas de prevenção sanitária na linha de frente de toda e qualquer empresa.

Tudo é novo. Nem mesmo os grandes especialistas na área ou entidades ligadas à ciência e a pesquisa sabiam como orientar e implementar tantas medidas e tão rapidamente nos ambientes mais diversos possíveis.

As medidas vão muito além da compra ou do uso de produtos como máscaras, luvas, gel bactericida, álcool gel, acrílicos, máscaras faciais e outras tantas EPI’s. Mas ninguém mais duvida é que esses itens devem ser considerados desde já como parte dos gastos fixos de qualquer negócio.

 

Passos lentos e cuidadosos

Por muito tempo ainda teremos que conviver com o vírus. E logicamente que para voltar a operar as empresas devem priorizar medidas realmente efetivas para reduzir o risco de contágio.

No caso de empresas cuja atividade exija a presença física dos colaboradores, existem protocolos de limpeza que já vem sendo testados na Europa e Estados Unidos facilmente adaptáveis para o Brasil, como as propostas pelo Centro de Prevenção e Controle dos Estados Unidos (CDC).

Mas existe um alerta unanime: a maior aliada dos procedimentos de segurança, higiene e limpeza é a informação sistemática e qualificada entre a empresa, seus funcionários, colaboradores, fornecedores e clientes.

Portanto, criar canais de comunicação eficientes e fortalecer os já existentes é um procedimento essencial a ser adotado desde já, juntamente com todas as medidas de higiene adotadas para controlar a disseminação do Covid – 19.

Entre as estratégias sugeridas para o momento em que os trabalhadores retornem às atividades cotidianas estão, por exemplo, novas escalas de horário, entradas e saídas escalonadas, trabalho remoto em alguns dias da semana e manter uma comunicação correta e contínua com os colaboradores para conhecer suas reais necessidades e as propostas que podem aumentar a segurança de todos.

 

O papel das Cipas e outras comissões

A Cipa de cada empresa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) certamente tem muito a contribuir nesse momento de crise sanitária, uma vez que seus integrantes estão “no chão da fábrica”, lado a lado com o trabalhador, conhecem bem a rotina e o que traz ou não risco de contágio.

Uma CIPA bem estruturada pode colocar em prática ações com muito mais rapidez do que pessoas em posições de comando numa empresa.

As CIPAS são essenciais para difundir orientações de como evitar o contágio, a melhor forma de utilizar os equipamentos de proteção individual e fiscalizar para que o protocolo de limpeza e higienização seja seguido corretamente.

Nesse processo, podem adotar quadros (tipo os antigos murais) para exibir cartazes com controles, medidas administrativas e orientações. Tudo descrito em linguagem clara, simples objetiva e devidamente ilustrada.

São várias as medidas gerais recomendadas às empresas pelos órgãos internacionais. Entre elas destacam-se:

 

  • Avaliação criteriosa dos riscos do local de trabalho de preferência por técnicos ou especialistas.
  • Treinamento específico para equipes responsáveis pela higiene, limpeza e desinfecção dos ambientes de trabalho de acordo com a nova realidade.
  • Checagem e melhoraria dos sistemas de ventilação
  • Implementação de políticas e práticas de distanciamento social
  • Aumento do ritmo de trabalho das equipes de higiene e limpeza em todo ambiente de trabalho.
  • Avaliação e checagem diária da saúde (medição da temperatura e avaliação de possíveis sintomas)

 

Protocolos de limpeza e cuidados para o dia a dia

Higienização das estações de trabalho

Além da transmissão direta de uma pessoa contaminada à outra, as superfícies estão entre os principais meios de propagação do coronavírus.

Portanto, a partir de agora não há mais espaço para mesas personalizadas, objetos acumulados, bonecos, porta retratos, plantinhas.

Entra em cena nos escritórios o minimalismo funcional, ou seja, mobiliários, separados por acrílicos onde terão espaço apenas para o computador, na maioria laptops.

Objetos pessoais, como bolsas e até material de escritório usado no dia a dia, devem ficar armazenados em lockers (armários com cadeado), instalados em espaços distantes da área de trabalho.

É essencial que todos os itens que compõem as estações de trabalho sejam higienizados regularmente com o auxílio de um pano e desinfetante.

Dessa limpeza deve fazer parte todas as superfícies tocadas com frequência, tais como mesas, cadeiras, telefones, teclados de computadores.

 

Higienização e desinfecção de áreas comuns

Banheiros, vestiários, cozinhas e refeitórios devem ter atenção redobrada com relação a limpeza assim como  veículos de transporte de equipes e de materiais.

A ANVISA recomenda produtos de limpeza com princípios ativos como ácido peracético, biguamida polimérica, hipoclorito de sódio, peróxido de hidrogênio e o quartenário de amônio encontrados em detergentes, limpadores e desinfetantes de uso profissional.

 

Lavagem correta das mãos

A lavagem correta e constante das mãos tem sido uma das orientações mais reforçadas na luta contra a Covid-19.

Por isso é essencial que as empresas não apenas disponibilizem álcool em gel 70% para funcionários e clientes, mas que também orientem sobre a maneira correta de fazer a higienização.

 

Higiene respiratória

As gotículas expelidas pela tosse ou espirro de pessoas contaminadas é a principal forma de contágio da Covid-19, seguida do contato com objetos ou superfícies que receberam essas substâncias.

Para contribuir com a higiene respiratória as empresas devem disponibilizar a funcionários e clientes lenços de papel e lixeiras com tampa para o descarte correto desse material. Além disso, o uso de máscaras também é indicado, especialmente para quem lida diretamente com o público.

O uso  de telas transparentes  de acrílico para o rosto além das máscaras, especialmente se a função exigir trato com público também é recomendado.

 

Clientes: os novos paradigmas

É certo que a interação com os clientes de qualquer tipo de negócio estão passando e ainda vão passar por mudanças drásticas.

Os clientes estarão extremamente atentos às novas condutas de proteção sanitária. Chegar em qualquer empresa e ou estabelecimento  e encontrar um  frasco de álcool gel vazio, por exemplo,  poderá ser o suficiente para gerar  desconfiança e  até levar ao rompimento das relações comerciais.

Ao lado dos protocolos de limpeza, o ponto mais importante em relação aos clientes é a adaptação à nova realidade de sua empresa.

A redução do número de funcionários de atendimento, por exemplo, pode ser a diferença para a realização  ou não de uma compra, que pode ter um processo mais lento.

Ainda nesse aspecto, levará mais tempo até que os consumidores retomem sua atividade normal. Até lá vão manter distância.

E sobre esse ponto que os órgãos internacionais reforçam  a  recomendação de manter um canal aberto de comunicação para auxiliar na adaptação dos  clientes. Um canal de relacionamento  onde ele possa se expressar, fazer observações e propostas durante e após a pandemia, no chamado “novo normal.”

 

Protocolo de limpeza da Organização Internacional do trabalho (OIT)

A OIT (Organização Internacional do Trabalho) publicou, no início da pandemia na Europa, um guia prático de como empregadores e empregados deverão agir no ambiente de trabalho no retorno ás atividades. O guia contem dez ações, listadas a seguir:

1 – Formar uma equipe conjunta para planejar e organizar o retorno ao trabalho;

2 – Decidir quando reabrir, quem retornará ao trabalho e de que forma;

3 – Adotar as medidas de engenharia, organizacionais e administrativas;

4 -Promover a limpeza e desinfecção do ambiente de trabalho

5 -Prover todos os meios para higiene pessoal;

6 -Prover os equipamentos de proteção e higiene pessoal e informar seu uso correto;

7 – Manter a vigilância da saúde;

8 – Considerar outros perigos, incluindo psicossocial;

9 -Revisar os planos de preparação de emergência;

10-Revisar e atualizar as medidas preventivas e de controle que envolvem a situação.